segunda-feira, 3 de maio de 2010

Educador precisar-se!

Fala-se de educação e de Ministério da Educação. A educação compete aos encarregados de educação, como o próprio nome indica. Porém, também ao Ministério cabe a função de educar, senão porque Ministério da Educação? O grande problema da educação em Portugal é a sua inexistência. Já não me atrevo a chamar ‘mal educado’ a um miúdo, provavelmente é mesmo isso que lhe falta, a educação.

Com a II Revolução Industrial, a Mulher foi forçada a trabalhar para ajudar a sustentar a família, e consequentemente passou a ter menos disponibilidade para as crianças. Assim, as crianças grande parte do seu dia na escola e ao regressar a casa isolam-se no quarto, a brincar no PC (onde eu estou neste preciso momento). Os pais chegam tarde a casa, tipicamente, a mãe trata do jantar e o pai vê o telejornal. O convívio familiar resume-se aos 30 minutos do jantar, depois cada um retoma as suas posições, o pai vai ver o futebol, a mãe vai arrumar a cozinha e o filho vai para o quarto, e é assim a rotina das famílias portuguesas. As conversas dos reduzidos minutos do jantar são sobre a classificação dos clubes (1º Benfica, 2º Braga 3ºPORTO e Sporting, nem se vê :D). Mas, regressando à educação, onde é que ela fica no meio de tudo isto?! Não fica!

A sorte é que para resolver este problema temos o Ministério da Educação, que se deve responsabilizar, exactamente, pela educação. Ou então NÃO! Diz-se que a educação vem de casa! Por isso, os professores não se vêem na obrigação de ensinar o que é bom e o que é mau aos menininhos. Ainda assim, o Ministério da Educação, preocupado com a falta de tempo dos encarregados de educação, achou que seria conveniente criar uma área não curricular intitulada por Formação Cívica. Calculo que, pelo nome, a disciplina sirva para incutir Civismo nas crianças. Creio que à 40 ou 50 anos atrás esta disciplina não existia, julgando pelo ‘Manso é a sua tia’ ou pelo ‘o Sr. é um palhaço’. Devo salientar que pelo menos se tratavam na 3ª pessoa do singular. Haja Civismo! Bom, francamente não creio que umas aulas de Formação Cívica resolvessem o problema, no meu tempo jogava ao galo, mas talvez agora com o Plano Tecnológico já se jogue Solitário ou Damas na Net.

O problema perdura, este país é muito dado a ‘passar a batata quente’. Talvez seja o nome que está mal atribuído, isto é, o que é encarregue de educar não educa, e o ministério, de educação tem pouco. Assim vejo-me na obrigação de apelar: Educador precisa-se, qualquer um serve desde que o faça!

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